• Ana Jorge

COMER PARA VIVER | CANCRO DA MAMA

Após um diagnóstico de cancro da mama, muitas mulheres reavaliam o seu estilo de vida questionando-se o que poderá ter estado na origem do cancro e, embora não evite, a verdade é que um estilo de vida saudável pode diminuir o risco de aparecimento e até de recidiva.

Quando falamos de estilo de vida saudável, a alimentação tem um papel fundamental e embora não existam formulas mágicas para evitar o cancro, existem guidelines gerais que podem e devem ser implementadas na sua dieta com o objectivo de reduzir o risco.

Assim, falamos basicamente de duas ações. Reduzir e Aumentar.



REDUZIR:


A primeira trata-se de reduzir e/ou eliminar da sua dieta os alimentos menos saudáveis, que no fundo constituem uma Dieta Inflamatória e cujo consumo está diretamente ligado com um maior risco de cancro.

Falamos assim de eliminar/reduzir o consumo de:

  • Açúcares: Dietas com uma elevada carga glicémica estão associadas a um maior risco de cancro da mama. O foco deve ser em diminuir o consumo de açúcares adicionados e não os açúcares naturalmente presentes nos alimentos, promovendo sobretudo a manutenção de um peso saudável.


  • Gorduras Trans e Saturadas: Limite a ingestão de alimentos que contêm gorduras saturadas e trans e dê preferência a fontes de gorduras saudáveis tais como: o azeite, sementes e oleaginosas (nozes e amêndoas), peixe pequeno (sardinha, cavala) e abacate.

  • Carne vermelha e processada: A Organização Mundial de Saúde classificou as carnes processadas, incluindo presunto, bacon, salame e salsichas como alimentos carcinogénicos do Grupo 1 (conhecidos por causar cancro), o que significa que há fortes evidências de que as carnes processadas causam cancro (intestino e estômago) enquanto que a carne vermelha, como vaca, borrego e porco, foi classificada como cancerígena do Grupo 2, o que significa que provavelmente causa cancro. No que diz respeito ao cancro da mama os estudos indicam que o seu consumo pode aumentar o risco e até mesmo a taxa de mortalidade. Sendo que existe evidência que a substituição de uma porção/dia de carne vermelha por uma porção de uma combinação de leguminosas, frutos secos, peixe e aves está associada a uma diminuição do risco.

  • Álcool: Um copo por refeição? Em situações de Cancro da Mama a resposta é NÃO. A evidência mostra que beber apenas 1 copo de vinho ou outra bebida alcoólica por dia aumenta o risco de cancro da mama… Não Facilite.


AUMENTAR:


A segunda ação tem a ver com o aumento do consumo de alimentos/nutrientes que têm propriedades “Anti Cancro”

Falamos de Aumentar o consumo de:

- Frutas e Vegetais: As frutas e Vegetais contêm fitoquímicos com propriedades antioxidantes, antiestrogénicas e quimiopreventivas que podem prevenir o cancro. A quantidade recomendada são no mínimo cinco ou mais porções de frutas e vegetais diariamente, sendo o ideal 10 porções por dia. Os vegetais crucíferos (ex: brócolos, couve-flor, rúcula, agrião) são especialmente ricos em fitoquímicos que podem ajudar a diminuir o risco de cancro da mama com receptores de estrogénio e devem fazer parte da sua dieta diária. Veja uma sugestão de receita com agrião aqui.


Alguns Fitoquímicos que podem ajudar a prevenir o cancro:

  • SULFORAFANO: Germinado de brócolos;

  • INDÓIS E ISOTIOCIANATOS:Vegetais crucíferos e mostarda.


Dica: Consuma crus ou pouco cozinhados. Ao colocar sementes de mostarda em pó por cima dos seus brócolos cozidos ou adicionar outra crucífera crua irá aumentar a produção e disponibilidade dos fitoquímicos.

  • COMPOSTOS FENÓLICOS: Alho, chá verde, soja, grãos de cereais, vegetais crucíferos, sementes de linhaça;

  • FLAVONÓIDES: A maioria das frutas e vegetais (crucíferas, alho, frutas cítricas, sementes de cominho, manjericão, hortelã);

  • ISOFLAVONAS: Soja, leguminosas, sementes de linhaça;

  • CAROTENÓIDES: Vegetais e frutas de cor amarelo escuro / laranja / verde;


- Cereais Integrais: Os cereais integrais são alimentos não processados ​​com alto teor de hidratos de carbono complexos, fitoquímicos, vitaminas, minerais e fibra.

Um consumo elevado de fibra para além de ser benéfico para promover o trânsito intestinal, regular os níveis de açúcar e de colesterol no sangue e equilibrar a microbiota intestinal, tem também benefícios específicos por promover a eliminação/excreção de hormonas, tais como o estrogénio.

A ingestão diária de fibra deve ser de 25 a 30 gramas de fibra insolúvel e solúvel o que será facilmente atingível numa dieta de base vegetal (metade do seu prato deve ser constituído por vegetais), com preferência por cereais integrais (quinoa, arroz, trigo) e inclusão diária de leguminosas (Ex: soja, ervilha, grão de bico e lentilhas).


Outros alimentos “preventivos” a considerar na sua alimentação diária:


  • COGUMELOS: Estudos mostram que os cogumelos têm propriedades anti cangerígenas, antivirais e antibacterianas. Inclua cogumelos diariamente na sua alimentação.

  • LINHAÇA: Ricas em ómega-3 e em fitoquímicos (lignanas) podem ter efeitos preventivos do cancro da mama e na diminuição da sua taxa de mortalidade.

  • CHÁ VERDE: O chá verde tem um potencial anticancerígeno para diversos tipos de cancro, incluindo o da mama, interferindo no processo de desenvolvimento e crescimento das células tumorais.

  • FRUTOS VERMELHOS: Para além de serem uma excelente fonte de vitaminas e fibra, os frutos vermelhos são uma fonte muito rica em antioxidantes e têm na sua composição vários fitoquímicos com propriedades anticancerígenas. Consuma uma porção de frutos vermelhos todos os dias.



Qual a melhor Dieta quando falamos de prevenir o Cancro da Mama ?

Estudos mostram que uma Dieta de Base vegetal pode ser preventiva de doenças crónicas. A Dieta Mediterrânica, pelo elevado consumo de produtos vegetais onde são privilegiadas as hortícolas, as leguminosas, os frutos secos, as frutas e os cereais integrais, pode ser considerada uma dieta de base vegetal.

Vários estudos mostram que a aderência a uma dieta mediterrânica poderá estar associada a uma diminuição do risco de cancro da mama, assim como outras doenças não transmissíveis, tais como a diabetes e as doenças cardiovasculares.

E em que consiste a Dieta Mediterrânica?




O que caracteriza a Dieta Mediterrânica é sobretudo:


  • Elevado consumo de produtos vegetais, nomeadamente de hortofrutícolaspãocereais pouco refinados, leguminosas secas e frescas e frutos secos;

  • Escolha de ingredientes locaisfrescos e da época;

  • A utilização do Azeite como principal fonte de gordura;

  • O consumo moderado de pescado, aves, lacticínios e ovos;

  • O consumo de pequenas quantidades de carnes vermelhas;

  • Água como principal bebida;

  • A ingestão moderada de vinho, geralmente durante as refeições (com a ressalva de que quando falamos em cancro da mama a recomendação é não ingerir bebidas alcoólicas);

  • Convívio à volta da mesa;

  • Frugalidade e cozinha simples que preserva os nutrientes dos alimentos;

  • Estilo de vida ativo, prática diária de exercício físico e descanso.

Trata-se de uma dieta equilibrada e variada, baixa em gordura saturada e com moderado a alto teor de gorduras mono e polinsaturadas. Rica em antioxidantes e fitoquímicos que são determinantes para o bem-estar geral.

Mas relembre que apenas 10% dos cancros têm origem hereditária o que significa que 90% dos casos estão relacionados com o nosso estilo de vida. Assim, a prática de atividade física regular, o sono/ descanso, o bem estar emocional e social, o limite de consumo de substâncias tóxicas tais como o tabaco e o álcool são fundamentais para diminuir esse risco.


Em resumo, é importante comer bem, sermos ativos, descansar quando necessário e amar e sermos amados.


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ANA JORGE

NHC Founder

Nutritionist, Master Coach

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