• Cecília Almeida | Mindfirst

ANSIEDADE | REGRESSO ÀS AULAS

É normal que as crianças sintam algum grau de ansiedade à medida que o novo ano escolar se aproxima. Os mais novos podem ficar ansiosos porque vão deixar os pais, e os mais velhos podem preocupar-se com os estudos, com os novos colegas ou mesmo com o reencontro com amigos depois dos meses de verão.

Este ano as escolas estão diferentes. Professores e alunos a partir do 2º ciclo usam máscaras e as interações estão limitadas. A incerteza da situação, a possibilidade de ficar doente e as mudanças nas rotinas podem fazer com que muitos alunos - e pais - se sintam stressados ​​e ansiosos.



O que fazer?

É importante estar atento a eventuais mudanças no comportamento e humor do seu filho, a ansiedade pode manifestar-se de várias formas, como por exemplo maior irritabilidade, alterações no sono, perda de apetite, falta de concentração, menor energia, sintomas físicos como náuseas, tensão muscular ou tonturas, recusa em ir à escola, tristeza ou choro.


A maneira de ajudar o seu filho se ele está a sentir algum destes sintomas, depende da idade dele. Não falar sobre o COVID-19 não alivia a ansiedade. É importante reconhecer a situação de maneira adequada à idade.


  • Converse com o seu filho com frequência e escute as suas preocupações. As crianças podem ter diversas questões, sobre o uso da máscara durante várias horas, sobre o que acontece se alguém fica doente com COVID-19, ou se podem brincar com os amigos. É importante deixar a criança fazer todas as perguntas, escutar, dar espaço para que partilhe os seus medos. Destine um tempo sem pressas em que possa dar-lhe toda a atenção. Seja honesto sobre o que sabe ou não sabe. Quando não sabe admita que não sabe. Com crianças mais velhas pode dizer que estes são tempos de incerteza e que até os adultos estão a aprender quais as melhores maneiras de viver de forma a que todos estejamos seguros. Para os mais novos pode simplesmente dizer que não sabe tudo e que os adultos não têm sempre todas as respostas e que não há nenhum problema nisso;


  • Ajude o seu filho a concentrar-se no que pode controlar na luta contra a pandemia, como lavar as mãos, usar máscara e praticar o distanciamento social;



  • Certifique-se de que ele está a dormir o suficiente, é ativo fisicamente e come alimentos saudáveis ​​para manter um corpo e mente saudáveis;



  • Incentive o seu filho a fazer aquilo que mais gosta, seja ler, brincar ao ar livre ou outras atividades;




  • Explique ao seu filho o que sabe sobre como será o ano letivo ou a sala de aula para ajudá-lo a preparar-se mentalmente;




  • Crie uma rotina diária estruturada com horários de sono;



  • Se possível, visite a escola do seu filho antes do primeiro dia de aulas e permita que ele conheça o professor numa situação de distanciamento social;


  • Ajude o seu filho a ajustar-se às precauções a ter, pratique em casa o uso de máscara. É normal que ele ache desconfortável, explique-lhe que é uma forma importante de ajudar a proteger os outros;


  • Ensine ao seu filho exercícios de respiração que ele pode fazer quando se sente ansioso;


  • Deixe notas positivas ou encorajadoras na mochila.


Se o seu filho tem sintomas de ansiedade e dificuldade em lidar com a situação, não hesite em procurar ajuda e apoio profissional.


Nestes tempos de incerteza é importante que os pais tomem medidas para cuidar de si mesmos. Converse com o seu filho sobre os seus próprios sentimentos e sobre as formas como lida com a ansiedade. Modelar comportamentos saudáveis e competências para enfrentar a adversidade é uma das formas de apoiar o seu filho.


Ensinar o que significa aceitar a incerteza - e mostrar que pode perseverar apesar dessa incerteza - é dar uma lição ao seu filho sobre resiliência.



Cecília Almeida

Psicóloga clínica e psicoterapeuta

MINDFIRST

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